O OLHAR DE UM NEGRO DO BRASIL – PARTE 2

14 09 2009

 

Meu nome é João Batista Anthero.

Sou natural de Casa Branca, estado de São Paulo.

              Nasci no dia 12 de Novembro de 1957, portanto, tenho 51 anos (estou ficando ancião rsssssssss). Meu pai chamava-se Benedito Antero (sem o H) e minha mãe Antonia Bonfim Antero.

Vivi a maior parte do tempo na minha terra natal num bairro chamado Vila Nazaré e o hospital que nasci chamava-se Santa Casa da Mãe Preta (pelo nome do bairro e do hospital agora da para entender algumas coincidências que não tinha percebido, só nesse exato momento).

Ainda criança, mudamos para Limeira no bairro Vila Gino próximo da atual Câmara Municipal (atual Jardim Piratininga), não tenho muitas recordações dessa época, só de um velho paletó que diziam que quando conseguiam tira-lo de mim para lavá-lo eu ficava sentado num banquinho embaixo do varal esperando ele secar e vestia novamente. Por causa desse abençoado paletó teve um acontecimento que marcou a todos.

Aqui em Limeira morávamos num casebre onde tinham várias outras casas (o famoso cortiço) e entre essas casas, morava uma tia, hoje falecida, e eu ficava o dia todo na casa dela. Certa vez, ela me deu um pedaço de lingüiça crua e a lingüiça escapou da minha mão e não consegui achar. Passado alguns dias o abençoado paletó foi para tábua de lavar (não tinha tanques de lavar roupa, era só uma tábua), o tal paletó foi lavado, pendurado pra secar e como sempre eu vesti mesmo sem passar, sentei no banquinho enfiei a mão no bolso e eis que o pedaço de lingüiça estava dentro dele e eu feliz da vida disse a minha tia, uia tia, achei minha lingüiça! Até hoje eu pago mico por isso!! rsssssssss.

Essa foi uma breve passagem por Limeira, depois retornamos para Casa Branca, imagino que devia ter uns quatro ou cinco anos de idade.

Ficamos morando no mesmo bairro de quando saímos para vir à Limeira, era uma casinha de madeira e não tinha banheiro, para fazer as necessidades era preciso utilizar uma fossa que ficava nos fundos do quintal.

Certa noite, precisei aliviar a dor de barriga, peguei uma lamparina que nós mesmos confeccionávamos e fui, na volta eu derrubei a lamparina e o barraco pegou fogo, para o nosso azar não tinha nem como chamar os bombeiros, a casa caiu.

Algum tempo depois meu pai melhorou um pouco de vida e lembro-me que ainda muito criança fui ao encontro dele na volta do trabalho (ele era foguista de maria fumaça) e estava com os bolsos e o embornal onde levava a comida todo cheio de dinheiro. Com essa grana deu para dar uma ajeitada na vida, comprar uma casa legal, acabar de construir outra e não precisava mais morar num barraco de madeira.





O OLHAR DE UM NEGRO DO BRASIL – PARTE 3

14 09 2009

 Por JB Anthero

Da mesma forma que o dinheiro entrou na nossa vida o infortúnio também, minha mãe adoeceu e por conta disso passou vários anos em tratamento e a grana foi se acabando.

Nesse momento estávamos no início dos anos 60 e meu pai achou que seria melhor voltar para Limeira e tentar um tratamento melhor para salvar minha mãe.

Ele veio primeiro, comprou uma casinha na Vila Cavinato e nos trouxe. Minha mãe continuou internada em Casa Branca e depois de uma semana ela teve alta e veio para casa, mas não teve tempo para nada.

Ela mal chegou a Limeira foi internada de novo na antiga Casa de Saúde (onde hoje é o hospital Unimed).

Depois de uma semana internada ela faleceu e lembro-me que vim do hospital até a nossa casa, a pé, pra buscar roupas pra ela ser arrumada e sepultada. Era o ano de 1966

Depois disso meu pai já começou a sentir o fardo um pouco pesado, mas sempre calado. Éramos quatro irmãos, pela ordem, José Antero, João Batista Anthero, Luis Antonio Antero e Valdir Antero. O jeito foi colocar todos os filhos num internato, fomos os quatro morar no Nosso Lar e pouco tempo depois o mais velho, José, voltou para casa, restou eu e meus dois irmãos no internato.

Morando no Nosso Lar, fui para a escola (Grupo Brasil), meu irmão mais novo (Luis Antonio) para o Grupo Coronel Flamínio (onde hoje é o museu) e o caçula ainda não tinha idade para freqüentar a escola.

Nessa época eu já trabalhava em casa de família ajudando as donas de casa em tudo que era possível, varria quintal, encerava os belos tacos e as cerâmicas, fazia pequenas compras, tomava conta de lojinha de armarinhos, ajudava na barraca de feira.

A casa onde mais trabalhei foi pra família dos Peruzza, lá devo ter ficado por uns três anos.

Um ano após a morte de minha mãe,1967, faleceu meu irmão caçula (Valdir), e coube a eu ir avisar meu pai da morte dele, ainda me lembro de chegar em casa num domingo para dar a notícia ao meu pai que estava deitado descansando, foi a primeira e única vez que vi as lagrimas nos olhos dele.





O OLHAR DE UM NEGRO DO BRASIL – PARTE 4

14 09 2009

Por JB Anthero

Eu e meu irmão Luis continuamos no Nosso Lar, onde era muito feliz e bem cuidado, até o final de 1969.

Saímos do internato porque tinham algumas famílias querendo me adotar e meu pai não queria, o que ele queria era os filhos junto dele e também não arrumou outra companheira.

Quando voltei para casa fui trabalhar na roça e adorava a música. Com o primeiro pagamento, comprei um violãozinho todo remendado e colorido de tantas bugigangas que tinha colado para que não se deteriorasse (da pra imaginar?), pois bem, no dia que comprei o tal violão aprendi, com a ajuda de um inquilino, tocar duas músicas sertanejas e não parei mais.

A partir daí fui aprendendo e com uns 15 ou 16 anos de idade fui fazer teste numa banda de baile. No dia do teste chovia de montão e como o teste era numa festa de casamento numa fazenda………..

Era eu mais um outro guitarrista, ele tocou primeiro e depois foi a minha vez, acabei de tocar algumas músicas e fui o escolhido da banda.

A música me deu muitas felicidades, alegria e muitas passagens legais que dariam um livro com certeza mas….

Através da música eu conheci o atual diretor da Gazeta de Limeira, Roberto Lucato. Fizemos amizades e um dia ele me perguntou qual era a minha profissão e eu disse que era motorista de caminhão, então ele me disse, quer trabalhar para mim no meu jornal?, eu aceitei.

No dia 2 de janeiro de 87 comecei a trabalhar na Gazeta.

Chegando no jornal, me entregaram as chaves do portão, as chaves do carro e os materiais de limpeza, essas eram minhas ferramentas de trabalho.

Quando eu disse que meu estudo era pouco (só o quarto ano primário), o Dr. Roberto me disse – infelizmente não tem como você crescer aqui – eu ouvi e resignei.

Com o passar dos dias eu ajudava os repórteres fotográficos Nivaldo Navarro e Mario Roberto no laboratório fotográfico, comecei a gostar de fotografia.

Como eu entrava no trabalho às 5 da manhã, ia às escondidas ao laboratório e ficava fuçando em tudo, revelava fotos, manuseava as câmeras e nos finais de semana levava alguma câmera pra casa pra praticar. Isso tudo às escondidas.

Comprei alguns livros de fotografia, pedi uma dica para outras pessoas, mais errava do que acertava.





O OLHAR DE UM NEGRO DO BRASIL – PARTE 5

14 09 2009

Por JB Anthero

 

                Chegou um momento que tinha algumas imagens em preto e branco na mão e resolvi fazer uma exposição fotográfica falando do negro.

Nesse momento eu percebi o quanto eu não sabia, não sabia o que era negro, não sabia o que era preto, não sabia como chegamos aqui, enfim, não sabia nada.

Costumo dizer que Deus sempre colocou pessoas certas no meu caminho para me orientar, dar umas dicas e isso muito tem me ajudado.

A exposição fotográfica sobre o negro chama-se Negros no Brasil, e foi realizada de 1996.

Em meu acervo tem fotos de vários cantos do Brasil. Já fotografei no QUILOMBO DO CAFUNDÓ/ SP; QUILOMBO DO CAMPINHO/ RJ; QUILOMBO DA CAÇANDOCA/ SP; QUILOMBO DOS PALMARES /AL; COMUNIDADE DO MUKÉM /AL.

Também fiz várias viagens a Salvador/ BA; OURO PRETO/ MG; SÃO JOÃO DEL REI /MG; MARIANA/ MG; GRUTA DO MAQUINÉ/ MG.

Fazendas históricas de Limeira; FAZENDA IBICABA; FAZENDA SANTA GERTRUDES e outras mais.

Em 2007 através de pesquisas acabei descobrindo que no dia 25 de Julho comemora-se o dia internacional da “MULHER LATINO AMERICANA E CARIBENHA”, esse dia as mulheres Latino Americanas se reúnem na Ilha de Santo Martinho no Caribe, para traçarem metas que ajudem a dar um basta nos maus tratos dessas mulheres.

Como essa data ainda não é muito difundida eu aproveitei pra prestar uma homenagem as nossas mulheres negras em forma de exposição fotográfica.





O OLHAR DE UM NEGRO DO BRASIL – PARTE 6

14 09 2009

Por JB Anthero

 

ÁFRICA

Minha próxima meta é ir a ÁFRICA em janeiro de 2010, mais precisamente no dia 6, será uma viagem de 20 dias no qual estou me preparando tecnicamente para fazer belas imagens.

Quando me perguntam como surgiu a idéia de fazer essa viagem digo que não sei, simplesmente acordei um dia e essa meta tava incrustada na minha cabeça.

Fiz amizade com um nigeriano que mora aqui em Limeira e ele irá comigo, temos mantido contato, tem me orientado de como vou reagir ao chegar à Nigéria, já está certo quais as cidades que visitaremos que são: LAGOS onde é muito forte a influência portuguesa na construção das casas, isso se deve ao fato de muitos escravos que conseguiram voltar pro seu continente e terem uma vida melhor.

A outra cidade, ou melhor, tribo é MADAGRI, nessa tribo ficava a espécie de depósito de africanos que eram vendidos para os portugueses e os traziam para toda a América, principalmente para o Brasil.

Depois vamos à tribo ILE IFE, essa tribo é de onde surgiram os YORUBAS.

Próxima é para ABUDJA, atual capital da Nigéria, antes era a cidade de LAGOS, mas devido ao crescimento desenfreado foi preciso fazer uma nova capital.

E por último vamos onde estão os animais (se eu não for comido rssssss) vou querer fotografar os leões, tigres, elefantes, fotografar as belas paisagens, as extraordinárias cachoeiras.

Não sei se as experiências que tenho vivido e aprendido vão me ajudar quando eu pisar na terra dos meus ancestrais, mas uma coisa é certa, estarei bem preparado tecnicamente para fazer belíssimas imagens.

A dúvida maior que paira na minha cabeça é será que conseguirei recursos financeiros suficientes e a tempo? A intuição me diz que sim, sei que DEUS vai me permitir mais essa missão.

Adoraria fazer muito mais que uma exposição fotográfica com esse material.

Meu sonho é fazer uma espécie de cartilha para serem usadas nas escolas e ajudar nossas crianças saber um pouco mais sobre nossos ancestrais, sobre nossas origens. Antes das chibatadas que os negros suportaram, tem muito mais coisas atrás disso tudo e que precisa ser mostrado e contado.

Existe toda uma beleza nesse imenso continente chamado ÁFRICA e que precisa ser mostrado.

Depois disso tudo me dou por satisfeito, posso morrer feliz.

 

JB.ANTHERO

 Limeira, início da madrugada de 17 de Junho de 2009





O OLHAR DE UM NEGRO DO BRASIL – PARTE 1

28 08 2009

João BatistaAnthero

Esta é a primeira de uma série em que falo de um fotógrafo, mais do que isso, de um amigo, de uma pessoa que tenho como referência não apenas profissional, mas também de vida. Todas as vezes que o encontro ensina-me algo ou tinha palavras de apoio e perseverança quando eu estava desanimado.

Jamais me esqueço das vezes que o acompanhava nos jogos de futebol e quando garantia as fotos para o jornal, emprestava seu equipamento para eu fotografar. Foi com ele que aprendi a fotografar esportes e a trabalhar com equipamento digital. Não poupa as críticas quando erro nas fotos, porém, mostra onde errei e o que poderia ter feito. Também me passa as “manhas” da profissão acumuladas nos mais de 20 anos de fotojornalismo.

João Batista Anthero é uma pessoa simples, que sempre está disposto a ensinar qualquer um que esteja disposto a aprender, independente de quem seja e está sempre em busca de conhecimento. Sua pouca escolaridade é compensada pelo autodidatismo. Música, fotografia, a história dos negros e as novas tecnologias; tudo aprendido pela vontade de saber mais e aperfeiçoar-se na profissão e na cultura de seu povo.

A série que se segue foi uma forma que encontrei de compartilhar as estórias de vida com todos meus amigos e colegas e também como forma de agradecimento a esse que se tornou um grande amigo. Para tanto, pedi que escrevesse sobre sua vida e o início de sua carreira como fotógrafo até a realização do sonho que se concretizará em janeiro quando irá para a África. O Janela Objetiva irá publicar o resultado dessa viagem.

O texto será publicado em partes em razão do tamanho, pretendo postá-los semanalmente.





RESENHA “CARTAS A UM JOVEM FOTÓGRAFO”

24 06 2009

Livro

Bob Wolfenson é um renomado fotógrafo de moda, tendo fotos publicadas em revistas como Vogue e Elle; participou campanhas de grifes como Arezzo e Vivara e produziu fotos para o São Paulo Fashion Week. Por suas lentes passaram modelos como Carol Trentini e Gisele Bündchen. Ele não se considera um especialista em uma modalidade específica, como fala na introdução do livro: “No meu caso, o que faço não se restringe a uma única especialidade; talvez por ser extrovertido e expansivo, não tenha me limitado a um interesse particular – se bem que isso, por si só, já caracteriza uma forma, um a maneira de…”.

Nesta obra, Bob Wolfenson, fala um pouco de sua trajetória desde o bairro do Bom Retiro, onde nasceu e produziu suas primeiras fotos, passando por suas experiências nos Estados Unidos, até chegar aonde chegou. Nesse percurso narra sobre os bastidores de suas produções e experiências que teve durante sua vida profissional. Contudo, no início, deixa claro que o objetivo não é dar fórmulas para o sucesso e sim contar sobre seu trabalho.

Com isso, penso que a publicação é destinada a quem pretende conhecer um pouco mais sobre o que seria fotografia de moda, como se dá a produção, relação com as modelos, contratos e também os entraves que ocorrem durante os ensaios bem como na produção dos trabalhos. Para mim, foi importante, pois fotografia de moda é algo que foge a minha realidade, ao meu dia a dia. Fez-me prestar a atenção em uma modalidade fotográfica que exige muita sensibilidade e experiência, além de uma boa equipe de produção.

Porém, senti falta dos erros, das falhas que ocorrem em todo o processo de crescimento e aprendizado. Quem lê, tem a impressão que ele nunca errou para chegar onde chegou, claro fala de falhas subjetivas como fotos que não ficaram bonitas se comparadas com outras etc, mas nada daqueles erros que sabemos que todos cometem. Há um capítulo, Acidentes no percurso, em que pensei que esses erros apareceriam, mas eles estavam sempre relacionados a outras pessoas e nunca atribuídos a ele.

Por parte da editora, percebi que há muitos erros gráficos, de digitação e de concordância, nada que uma revisão mais apurada não corrija. Também merece comentário a encadernação que ao folhear, começa a descolar. Contudo, o livro possui um elemento importante que são os referenciais bibliográficos, norteando aqueles que buscam mais informações sobre o tema discutido.

Porém, de uma forma geral, é um livro muito bom, com informações importantes para quem se interessa por fotografia de moda e também para quem tem curiosidade em saber sobre os bastidores da moda e a trajetória de um fotógrafo de sucesso e para desmistificar que a prática em si não é tão glamorosa como muitos pensam que é. Particularmente, é uma obra que me fez olhar a fotografia de moda com outros olhos e recomendo a todos que gostem do tema.

 

Grande abraço a todos!

 

Cartas a um jovem fotógrafo

Autor: Bob Wolfenson

Editora: Campus

páginas: 223





EDIÇÃO ESPECIAL

7 06 2009
Revista Época n.º 577 de 8 de junho de 2009

Revista Época n.º 577 de 8 de junho de 2009

Um grande mar azul em destaque, acima, uma pequena parte do céu encoberto como se um estivesse fundido ao outro. Essa é a foto de capa da edição especial da revista Época, do dia 8 de junho, que destaca o acidente com o Airbus A330 da companhia Air France, ocorrido na última segunda feira. Uma capa que vale comentário justamente pela simplicidade na qual foi feita e com uma grande representação.

Quando a vi no site,  me chamou a atenção, pois é uma capa sem efeitos,  jogos de imagem ou grandes trabalhos de design gráfico,  em que a foto de fundo e a diagramação transmitem diversos sentidos e significações.

Como se vê, a parte do oceano apresentado representa o local onde possivelmente o avião tenha caído, este sendo representado pelo escrito vôo Air France 447, sendo uma representação do avião em si. Assim a linguagem verbal nos reporta à visual, sendo dispensável a representação visual do objeto. Esta é uma primeira leitura.

A segunda, não excludente à primeira, é que a simplicidade e a ausência de chamadas para outras reportagens presentes na revista e outros textos verbais, exceto na parte superior o destaque para edição especial e o logo da revista, reporta a uma homenagem, como sendo o minuto de silêncio em memória às vítimas do acidente, uma transmissão de calma e paz, representada por essa fusão entre céu e mar.

Sem dúvida nenhuma a equipe de arte foi feliz na diagramação. As capas das revistas que vi até agora, essa, foi a que melhor representou o acidente e a que mais me chamou atenção justamente pela simplicidade e por fugir do senso comum. Penso que vale a pena dar uma olhada.

Qual a leitura que fazem dessa capa? Mande seus comentários!

 Abraço a todos





O QUE ESSA IMAGEM REPRESENTA PARA VOCÊS?

4 06 2009
Reprodução - Google

Reprodução - Google

 

Era uma vez um povo dominado e escravizado por um pequeno grupo e quem fazia a segurança era um gigante que matava todos que ousavam se aproximar ou questionar esse reinado. Até que um dia chegou um menino franzino portando uma funda e três pedras que resolveu desafiá-lo, caso vencesse o povo seria liberto. Com apenas uma pedra acertou a cabeça do gigante matando-o. Independente da preferência religiosa, quem nunca ouviu a história de David e Golias? Pois bem, quando olho para essa imagem associo imediatamente a essa história bíblica. Hoje relembramos o massacre na Praça da Paz Celestial na China ocorrida há exatos 20 anos. Uma luta de jovens estudantes por democracia e liberdade, interrompida de forma brutal pelo exército chinês. O saldo desse confronto foi de mais de 3 mil mortos e cerca de 60 mil feridos. O episódio foi eternizado e representado por essa imagem. Um jovem estudante, cuja identidade é desconhecida até hoje, tentando sozinho parar os tanques de guerra. A importância desse registro consiste justamente na sua significação, pois o tanque, muito mais do que um simples veículo militar, representa a força de um Estado autoritário, com poder de passar por cima de um pequeno grupo que deseja libertar seu povo, sua nação, representado por esse jovem estudante. Talvez essa seja a pedra, o estudo, o conhecimento que será fundamental para encarar o gigante. À medida que se tem um povo pensante, questionador, tem-se o primeiro passo para uma libertação, pois não serão mais conduzidos por técnicas de propaganda e de discurso, mas sim, pela própria consciência de cidadania, direitos e sociedade. Contudo, vemos que a funda está rodando de maneira lenta, pois, segundo informações das agências EFE e Associated Press, o governo chinês bloqueou os acessos a redes sociais como orkut, MSN, Flickr e Twitter, para que não sejam veiculadas mensagens de nenhuma ordem sobre o que ocorreu naquele 4 de junho de 1989 em Tiananmen, ou Praça da Paz Celestial. Contudo temos pessoas que ainda cobram por justiça e isenção no julgamento dos responsáveis pelo massacre. Espero que o fim dessa história seja igual ao do conto, que consigam matar o gigante e libertar o povo, mas para isso a funda precisa girar mais forte municiada da pedra da educação e do conhecimento, só assim essa imagem representará não mais uma esperança de uma sociedade mais justa e livre, e sim, a vitória de uma batalha e o reconhecimento do esforço de milhares de pessoas que foram mortas e feridas, representada por esse único jovem encarando de peito aberto o gigante.





O que um álbum de fotos representa para vocês?

15 05 2009
Foto: Júlio Marcondes

Foto: Júlio Marcondes

 

 

Há algumas semanas vi minha mãe, minha irmã e minha tia sentadas na sala da casa da minha avó, vendo algumas fotos de família. O que se escutava era “olha fulano como era..”; “esse aqui já se foi…”; “poxa, como era boa essa época”. Ouvindo isso, fiquei pensando na importância que a fotografia tem, o poder de nos fazer relembrar fatos, de épocas já vividas e que registramos em um pedaço de papel.

Ela parece nos transportar para um outro lugar, onde são ignorados o espaço e o tempo, nos reportando a momentos felizes, ou tristes. Momentos que olhamos com outros olhos a cada vez que pegamos essas imagens, olhamos com os olhos de quem venceu obstáculos o que nos dá força para superar outros. Relembrar momentos que não voltam e até de pessoas que passaram por nossas vidas e não voltam mais.

Pode também ser uma companheira nos momentos de solidão. Quem não tem guardado na carteira as fotos da mãe, do pai, na namorada(o), do marido, da esposa, dos filhos etc? Acredito que essas imagens nos permitem materializar em nossa mente as pessoas lá representadas, trazendo-nos a impressão que estamos acompanhados. Viajamos, somos transportados para aquele momento e quando vemos, a solidão já se foi.

Eu tive algumas experiências dessas, pois como moro sozinho, algumas vezes, pego meus álbuns onde tenho fotos de amigos, de família e de algumas imagens que fiz sobre assuntos diversos. Com isso passo a mergulhar nesse universo onde rememoro os fatos que se passaram, os amigos que estão longe e que muitos seguiram seus caminhos, mas deixaram presente os momentos, materializados nessas pequenas representações feitas em papel.

Não sei quanto a vocês, mas para mim o álbum de fotos representa isso, esse infinito túnel do tempo. Para ativá-lo basta abri-lo e boa viagem. E para vocês o que o álbum de fotos representa?

 

Grande abraço a todos