A Paris de Claudio Edinger

23 11 2009
Convite para abertura

 

Como fotografar uma cidade já fotografada por tantas pessoas, algumas delas sendo Cartier-Bresson e Doisneu? Essa foi a pergunta que moveu o fotógrafo Cláudio Edinger descobrir novas formas de retratar Paris. Foram mais de 30 anos de pesquisa e duas semanas de trabalho, 200 chapas, sendo escolhidas 80 para compor um livro.

Para completar essa busca de novos olhares, que tal usar uma câmera que proporciona uma outra forma de fotografar? Por essa razão, que Edinger usa em seu trabalho uma grande formato, que usa filme 4X5, onde o foco é dado apenas em um pondo específico, além de ter maior qualidade que o negativo comum.

A exposição Paris de Cláudio Edinger, que terá 17 fotografias desse trabalho, será aberta no próximo dia 30 de novembro, às 19 horas, e ficará até o dia 28 de fevereiro de 2010 no Espaço Arte Trio que fica na rua Gomes de Carvalho, 1.759 – Vila Olímpia/SP.

Edinger fala ao Janela Objetiva sobre a exposição, equipamentos e seus olhares.

 

Grande abraço a todos!

 

Janela Objetiva – Como surgiu a idéia de fazer essa exposição?

Cláudio EdingerEu venho pesquisando Paris há uns trinta anos, desde quando comecei a fotografar. Ficava imaginando como fotografar a cidade mais fotografada do mundo, o que esta cidade representa pra mim visualmente e como compartilhar isso com outros, o que a gente vê. Mas este é o grande barato da fotografia — não existem temas esgotados — ao contrário, está tudo aí ainda pra ser feito.

 

JO – Qual é a Paris de Claudio Edinger?

CE - Paris é a mãe de todos nós, é a mãe do Impressionismo, o maior e mais importante movimento artístico da história. Paris é a mãe também da fotografia, onde Lartigue, Bresson, Brassai, Doisneau, Kertesz, Halsman, William Klein e muitos outros desenvolveram a nossa arte. a minha paris é ambígua, ora em foco ora desfocada, ora brilhando ora opaca. é a cidade luz e a cidade sombra, tem uma beleza incomparável e vive ameaçada pelo seus suburbios.

 

JO – O que te levou a fotografar em grande formato?

CEA máquina em grande formato deixa de ficar entre nosso assunto e a gente — você não mais vê o mundo através de um buraco quadrado ou retangular quando faz a foto. a 4×5 vira de fato uma parceira da gente. cada máquina fotografica enxerga da sua própria maneira a realidade. são como vários instrumentos musicais de uma orquestra. a 4×5 é como um piano de calda. e, além da qualidade muito superior de seus negativos, ela possibilita o trabalho de “tilt & shift” — báscula — em que é possível criar-se o foco seletivo, uma linguagem dentro da fotografia que começa a surgir com força agora e que pra mim reflete melhor do que a outra (foco em tudo) minha relação com a assim chamada realidade. eu me interesso muito pela ambiguidade das coisas, acredito que não existem absolutos — e nem isso pode ser uma afirmação absoluta. me interesso por uma imagem cheia de nuances e mistérios, que às vezes conta mais pelo que deixa de dizer.

 

JO – Quem fez a curadoria da exposição?

CE - A curadoria é de Rosely Nakagawa que é quem escreve a apresentação para a exposição.

 

JO – Quanto tempo levou para produzir esse material, quantas fotos foram para a exposição e, aproximadamente, quantas foram tiradas?

CEEssas fotos foram feitas em duas semanas. Fiz umas duzentas chapas das quais escolhi 80 pra um projeto de livro. Para cada foto que eu faço, em geral, tiro duas ou três chapas no máximo. A exposição tem 17 fotos no formato 140×170 cm com moldura. O interessante pra mim é que na capital da fotografia é quase impossível se fotografar. Cada vez que eu abria o tripé vinha um segurança perguntar vous avez la permission? Você tem licença pra fotografar aqui? Eu não tinha, para nenhum lugar — tanto que agora quero voltar para fotografar dentro dos lugares, museus, cafés etc., e vou ter que conseguir autorizações. Chata essa burocracia, mas faz parte.





Olhar fotográfico

22 11 2009

Fotos: Laurent Gurinaud

Ao vermos uma fotografia consagrada, como a de um homem pulando uma poça d’água, feita por Cartier-Bresson; ou de um homem sendo baleado na guerra, feita por Robert Capa, cuja marca era de chegar o mais próximo possível do “fato”, que mais tarde ocasionou sua morte; o que nos chama mais a atenção? A cena em si ou ficamos pensando no equipamento que usou, qual a velocidade do obturador tirou essa foto etc.?

Pois bem, creio que antes de tudo, uma foto chama a atenção pelo olhar, pelo recorte que o fotógrafo deu a um determinado fato. Então por que vemos tantos cursos e discussões em torno de técnicas e equipamentos, alguns consideram este último elemento um instrumento de poder e ostentação, quanto maior a máquina ou a objetiva, mais a pessoa se sente poderosa e mais fotógrafa; e menos sobre o olhar?

Foi pensando nisso que o fotógrafo franco-brasileiro, Laurent Guerinaud, fez um curso, com início no próximo dia 1º em parceria com o Instituto Internacional de Fotografia (IIF), sobre o olhar. Ele abordará temas como composição, simbolismos das cores, desfoque, dentre outros.  Ao todo serão 20 horas de curso sendo cinco destinadas à saída fotográfica

Laurent falou para o Janela Objetiva sobre esse novo projeto.

 

Janela Objetiva – Laurent, como surgiu a idéia de fazer um curso voltado para o olhar fotográfico?

Laurent GuerinaudEu acho que no Brasil a maioria dos cursos e conversas dos fotógrafos fica focada no uso dos recursos das máquinas, ou, mais precisamente, nos processos de restituição duma cena no papel ou no monitor do computador. Porem, 90% da beleza duma foto é construída pelo olhar do fotografo diante da cena que registra. Os outros 10% procede do equipamento, do uso dele, do processamento das cores e tal.

 

JO – Então qual é a proposta do curso?

LGA meta do curso é ajudar os fotógrafos construir suas imagens antes do click, ou seja, saber o que deve aparecer na foto para que ela renda sucesso e, claro, como conseguir o resultado desejado.

O diferencial desse curso é que em vez de ensinar como conseguir vários “efeitos”, deixar os fotógrafos adivinhar qual o uso que vão fazer de determinados efeitos. Pretendo habilitar o olhar dos alunos para que saibam determinar o resultado que eles procuram na frente de uma determinada cena, e daí, usar os “efeitos” apropriados quando precisar.

Meu olhar fotográfico foi desenvolvido na Europa e se tintou das especificidades da fotografia brasileira após minha instalação em São Paulo, há dois anos. Com certeza, essa dupla cultura fotográfica dá um toque ainda mais interessante ao curso.

 

Segue mais informações sobre o curso Olhar fotográfico.

Grande abraço a todos!

 

OLHAR FOTOGRÁFICO

Programa

  • Conhecer e aplicar as regras básicas de composição para construir imagens harmoniosas;

  • Retratar o espaço numa imagem plana;

  • Associar as cores e conhecer o simbolismo delas;

  • Brincar com o desfoque;

  • Usar essas ferramentas com criatividade para construir imagens que se destaquem.

 

Pré-requisito: Câmera digital ou analógica para desenvolvimento dos trabalhos durante o curso. Conhecimento do modo de uso da própria câmera. (facultativo)

Carga horária: 20h – 5 encontros de 3 horas + uma saída de 5 horas

Custo: R$ 500 (R$ 450 à vista).

Agenda: terças-feiras & quintas-feiras (1-3-8-10-15/12/09) das 19 às 22h + saída de 5hs sábado 12/12/2009

Local: Espaço Instancolor – Rua Tomaz Carvalhal 92, Paraíso – CEP 04006-000 – São Paulo – SP – Brasil. – VAGAS LIMITADAS.

Laurent Gerinaud





O OLHAR DE UM NEGRO DO BRASIL – PARTE 2

14 09 2009

 

Meu nome é João Batista Anthero.

Sou natural de Casa Branca, estado de São Paulo.

              Nasci no dia 12 de Novembro de 1957, portanto, tenho 51 anos (estou ficando ancião rsssssssss). Meu pai chamava-se Benedito Antero (sem o H) e minha mãe Antonia Bonfim Antero.

Vivi a maior parte do tempo na minha terra natal num bairro chamado Vila Nazaré e o hospital que nasci chamava-se Santa Casa da Mãe Preta (pelo nome do bairro e do hospital agora da para entender algumas coincidências que não tinha percebido, só nesse exato momento).

Ainda criança, mudamos para Limeira no bairro Vila Gino próximo da atual Câmara Municipal (atual Jardim Piratininga), não tenho muitas recordações dessa época, só de um velho paletó que diziam que quando conseguiam tira-lo de mim para lavá-lo eu ficava sentado num banquinho embaixo do varal esperando ele secar e vestia novamente. Por causa desse abençoado paletó teve um acontecimento que marcou a todos.

Aqui em Limeira morávamos num casebre onde tinham várias outras casas (o famoso cortiço) e entre essas casas, morava uma tia, hoje falecida, e eu ficava o dia todo na casa dela. Certa vez, ela me deu um pedaço de lingüiça crua e a lingüiça escapou da minha mão e não consegui achar. Passado alguns dias o abençoado paletó foi para tábua de lavar (não tinha tanques de lavar roupa, era só uma tábua), o tal paletó foi lavado, pendurado pra secar e como sempre eu vesti mesmo sem passar, sentei no banquinho enfiei a mão no bolso e eis que o pedaço de lingüiça estava dentro dele e eu feliz da vida disse a minha tia, uia tia, achei minha lingüiça! Até hoje eu pago mico por isso!! rsssssssss.

Essa foi uma breve passagem por Limeira, depois retornamos para Casa Branca, imagino que devia ter uns quatro ou cinco anos de idade.

Ficamos morando no mesmo bairro de quando saímos para vir à Limeira, era uma casinha de madeira e não tinha banheiro, para fazer as necessidades era preciso utilizar uma fossa que ficava nos fundos do quintal.

Certa noite, precisei aliviar a dor de barriga, peguei uma lamparina que nós mesmos confeccionávamos e fui, na volta eu derrubei a lamparina e o barraco pegou fogo, para o nosso azar não tinha nem como chamar os bombeiros, a casa caiu.

Algum tempo depois meu pai melhorou um pouco de vida e lembro-me que ainda muito criança fui ao encontro dele na volta do trabalho (ele era foguista de maria fumaça) e estava com os bolsos e o embornal onde levava a comida todo cheio de dinheiro. Com essa grana deu para dar uma ajeitada na vida, comprar uma casa legal, acabar de construir outra e não precisava mais morar num barraco de madeira.





O OLHAR DE UM NEGRO DO BRASIL – PARTE 3

14 09 2009

 Por JB Anthero

Da mesma forma que o dinheiro entrou na nossa vida o infortúnio também, minha mãe adoeceu e por conta disso passou vários anos em tratamento e a grana foi se acabando.

Nesse momento estávamos no início dos anos 60 e meu pai achou que seria melhor voltar para Limeira e tentar um tratamento melhor para salvar minha mãe.

Ele veio primeiro, comprou uma casinha na Vila Cavinato e nos trouxe. Minha mãe continuou internada em Casa Branca e depois de uma semana ela teve alta e veio para casa, mas não teve tempo para nada.

Ela mal chegou a Limeira foi internada de novo na antiga Casa de Saúde (onde hoje é o hospital Unimed).

Depois de uma semana internada ela faleceu e lembro-me que vim do hospital até a nossa casa, a pé, pra buscar roupas pra ela ser arrumada e sepultada. Era o ano de 1966

Depois disso meu pai já começou a sentir o fardo um pouco pesado, mas sempre calado. Éramos quatro irmãos, pela ordem, José Antero, João Batista Anthero, Luis Antonio Antero e Valdir Antero. O jeito foi colocar todos os filhos num internato, fomos os quatro morar no Nosso Lar e pouco tempo depois o mais velho, José, voltou para casa, restou eu e meus dois irmãos no internato.

Morando no Nosso Lar, fui para a escola (Grupo Brasil), meu irmão mais novo (Luis Antonio) para o Grupo Coronel Flamínio (onde hoje é o museu) e o caçula ainda não tinha idade para freqüentar a escola.

Nessa época eu já trabalhava em casa de família ajudando as donas de casa em tudo que era possível, varria quintal, encerava os belos tacos e as cerâmicas, fazia pequenas compras, tomava conta de lojinha de armarinhos, ajudava na barraca de feira.

A casa onde mais trabalhei foi pra família dos Peruzza, lá devo ter ficado por uns três anos.

Um ano após a morte de minha mãe,1967, faleceu meu irmão caçula (Valdir), e coube a eu ir avisar meu pai da morte dele, ainda me lembro de chegar em casa num domingo para dar a notícia ao meu pai que estava deitado descansando, foi a primeira e única vez que vi as lagrimas nos olhos dele.





O OLHAR DE UM NEGRO DO BRASIL – PARTE 4

14 09 2009

Por JB Anthero

Eu e meu irmão Luis continuamos no Nosso Lar, onde era muito feliz e bem cuidado, até o final de 1969.

Saímos do internato porque tinham algumas famílias querendo me adotar e meu pai não queria, o que ele queria era os filhos junto dele e também não arrumou outra companheira.

Quando voltei para casa fui trabalhar na roça e adorava a música. Com o primeiro pagamento, comprei um violãozinho todo remendado e colorido de tantas bugigangas que tinha colado para que não se deteriorasse (da pra imaginar?), pois bem, no dia que comprei o tal violão aprendi, com a ajuda de um inquilino, tocar duas músicas sertanejas e não parei mais.

A partir daí fui aprendendo e com uns 15 ou 16 anos de idade fui fazer teste numa banda de baile. No dia do teste chovia de montão e como o teste era numa festa de casamento numa fazenda………..

Era eu mais um outro guitarrista, ele tocou primeiro e depois foi a minha vez, acabei de tocar algumas músicas e fui o escolhido da banda.

A música me deu muitas felicidades, alegria e muitas passagens legais que dariam um livro com certeza mas….

Através da música eu conheci o atual diretor da Gazeta de Limeira, Roberto Lucato. Fizemos amizades e um dia ele me perguntou qual era a minha profissão e eu disse que era motorista de caminhão, então ele me disse, quer trabalhar para mim no meu jornal?, eu aceitei.

No dia 2 de janeiro de 87 comecei a trabalhar na Gazeta.

Chegando no jornal, me entregaram as chaves do portão, as chaves do carro e os materiais de limpeza, essas eram minhas ferramentas de trabalho.

Quando eu disse que meu estudo era pouco (só o quarto ano primário), o Dr. Roberto me disse – infelizmente não tem como você crescer aqui – eu ouvi e resignei.

Com o passar dos dias eu ajudava os repórteres fotográficos Nivaldo Navarro e Mario Roberto no laboratório fotográfico, comecei a gostar de fotografia.

Como eu entrava no trabalho às 5 da manhã, ia às escondidas ao laboratório e ficava fuçando em tudo, revelava fotos, manuseava as câmeras e nos finais de semana levava alguma câmera pra casa pra praticar. Isso tudo às escondidas.

Comprei alguns livros de fotografia, pedi uma dica para outras pessoas, mais errava do que acertava.





O OLHAR DE UM NEGRO DO BRASIL – PARTE 5

14 09 2009

Por JB Anthero

 

                Chegou um momento que tinha algumas imagens em preto e branco na mão e resolvi fazer uma exposição fotográfica falando do negro.

Nesse momento eu percebi o quanto eu não sabia, não sabia o que era negro, não sabia o que era preto, não sabia como chegamos aqui, enfim, não sabia nada.

Costumo dizer que Deus sempre colocou pessoas certas no meu caminho para me orientar, dar umas dicas e isso muito tem me ajudado.

A exposição fotográfica sobre o negro chama-se Negros no Brasil, e foi realizada de 1996.

Em meu acervo tem fotos de vários cantos do Brasil. Já fotografei no QUILOMBO DO CAFUNDÓ/ SP; QUILOMBO DO CAMPINHO/ RJ; QUILOMBO DA CAÇANDOCA/ SP; QUILOMBO DOS PALMARES /AL; COMUNIDADE DO MUKÉM /AL.

Também fiz várias viagens a Salvador/ BA; OURO PRETO/ MG; SÃO JOÃO DEL REI /MG; MARIANA/ MG; GRUTA DO MAQUINÉ/ MG.

Fazendas históricas de Limeira; FAZENDA IBICABA; FAZENDA SANTA GERTRUDES e outras mais.

Em 2007 através de pesquisas acabei descobrindo que no dia 25 de Julho comemora-se o dia internacional da “MULHER LATINO AMERICANA E CARIBENHA”, esse dia as mulheres Latino Americanas se reúnem na Ilha de Santo Martinho no Caribe, para traçarem metas que ajudem a dar um basta nos maus tratos dessas mulheres.

Como essa data ainda não é muito difundida eu aproveitei pra prestar uma homenagem as nossas mulheres negras em forma de exposição fotográfica.





O OLHAR DE UM NEGRO DO BRASIL – PARTE 6

14 09 2009

Por JB Anthero

 

ÁFRICA

Minha próxima meta é ir a ÁFRICA em janeiro de 2010, mais precisamente no dia 6, será uma viagem de 20 dias no qual estou me preparando tecnicamente para fazer belas imagens.

Quando me perguntam como surgiu a idéia de fazer essa viagem digo que não sei, simplesmente acordei um dia e essa meta tava incrustada na minha cabeça.

Fiz amizade com um nigeriano que mora aqui em Limeira e ele irá comigo, temos mantido contato, tem me orientado de como vou reagir ao chegar à Nigéria, já está certo quais as cidades que visitaremos que são: LAGOS onde é muito forte a influência portuguesa na construção das casas, isso se deve ao fato de muitos escravos que conseguiram voltar pro seu continente e terem uma vida melhor.

A outra cidade, ou melhor, tribo é MADAGRI, nessa tribo ficava a espécie de depósito de africanos que eram vendidos para os portugueses e os traziam para toda a América, principalmente para o Brasil.

Depois vamos à tribo ILE IFE, essa tribo é de onde surgiram os YORUBAS.

Próxima é para ABUDJA, atual capital da Nigéria, antes era a cidade de LAGOS, mas devido ao crescimento desenfreado foi preciso fazer uma nova capital.

E por último vamos onde estão os animais (se eu não for comido rssssss) vou querer fotografar os leões, tigres, elefantes, fotografar as belas paisagens, as extraordinárias cachoeiras.

Não sei se as experiências que tenho vivido e aprendido vão me ajudar quando eu pisar na terra dos meus ancestrais, mas uma coisa é certa, estarei bem preparado tecnicamente para fazer belíssimas imagens.

A dúvida maior que paira na minha cabeça é será que conseguirei recursos financeiros suficientes e a tempo? A intuição me diz que sim, sei que DEUS vai me permitir mais essa missão.

Adoraria fazer muito mais que uma exposição fotográfica com esse material.

Meu sonho é fazer uma espécie de cartilha para serem usadas nas escolas e ajudar nossas crianças saber um pouco mais sobre nossos ancestrais, sobre nossas origens. Antes das chibatadas que os negros suportaram, tem muito mais coisas atrás disso tudo e que precisa ser mostrado e contado.

Existe toda uma beleza nesse imenso continente chamado ÁFRICA e que precisa ser mostrado.

Depois disso tudo me dou por satisfeito, posso morrer feliz.

 

JB.ANTHERO

 Limeira, início da madrugada de 17 de Junho de 2009





O OLHAR DE UM NEGRO DO BRASIL – PARTE 1

28 08 2009

João BatistaAnthero

Esta é a primeira de uma série em que falo de um fotógrafo, mais do que isso, de um amigo, de uma pessoa que tenho como referência não apenas profissional, mas também de vida. Todas as vezes que o encontro ensina-me algo ou tinha palavras de apoio e perseverança quando eu estava desanimado.

Jamais me esqueço das vezes que o acompanhava nos jogos de futebol e quando garantia as fotos para o jornal, emprestava seu equipamento para eu fotografar. Foi com ele que aprendi a fotografar esportes e a trabalhar com equipamento digital. Não poupa as críticas quando erro nas fotos, porém, mostra onde errei e o que poderia ter feito. Também me passa as “manhas” da profissão acumuladas nos mais de 20 anos de fotojornalismo.

João Batista Anthero é uma pessoa simples, que sempre está disposto a ensinar qualquer um que esteja disposto a aprender, independente de quem seja e está sempre em busca de conhecimento. Sua pouca escolaridade é compensada pelo autodidatismo. Música, fotografia, a história dos negros e as novas tecnologias; tudo aprendido pela vontade de saber mais e aperfeiçoar-se na profissão e na cultura de seu povo.

A série que se segue foi uma forma que encontrei de compartilhar as estórias de vida com todos meus amigos e colegas e também como forma de agradecimento a esse que se tornou um grande amigo. Para tanto, pedi que escrevesse sobre sua vida e o início de sua carreira como fotógrafo até a realização do sonho que se concretizará em janeiro quando irá para a África. O Janela Objetiva irá publicar o resultado dessa viagem.

O texto será publicado em partes em razão do tamanho, pretendo postá-los semanalmente.





RESENHA “CARTAS A UM JOVEM FOTÓGRAFO”

24 06 2009

Livro

Bob Wolfenson é um renomado fotógrafo de moda, tendo fotos publicadas em revistas como Vogue e Elle; participou campanhas de grifes como Arezzo e Vivara e produziu fotos para o São Paulo Fashion Week. Por suas lentes passaram modelos como Carol Trentini e Gisele Bündchen. Ele não se considera um especialista em uma modalidade específica, como fala na introdução do livro: “No meu caso, o que faço não se restringe a uma única especialidade; talvez por ser extrovertido e expansivo, não tenha me limitado a um interesse particular – se bem que isso, por si só, já caracteriza uma forma, um a maneira de…”.

Nesta obra, Bob Wolfenson, fala um pouco de sua trajetória desde o bairro do Bom Retiro, onde nasceu e produziu suas primeiras fotos, passando por suas experiências nos Estados Unidos, até chegar aonde chegou. Nesse percurso narra sobre os bastidores de suas produções e experiências que teve durante sua vida profissional. Contudo, no início, deixa claro que o objetivo não é dar fórmulas para o sucesso e sim contar sobre seu trabalho.

Com isso, penso que a publicação é destinada a quem pretende conhecer um pouco mais sobre o que seria fotografia de moda, como se dá a produção, relação com as modelos, contratos e também os entraves que ocorrem durante os ensaios bem como na produção dos trabalhos. Para mim, foi importante, pois fotografia de moda é algo que foge a minha realidade, ao meu dia a dia. Fez-me prestar a atenção em uma modalidade fotográfica que exige muita sensibilidade e experiência, além de uma boa equipe de produção.

Porém, senti falta dos erros, das falhas que ocorrem em todo o processo de crescimento e aprendizado. Quem lê, tem a impressão que ele nunca errou para chegar onde chegou, claro fala de falhas subjetivas como fotos que não ficaram bonitas se comparadas com outras etc, mas nada daqueles erros que sabemos que todos cometem. Há um capítulo, Acidentes no percurso, em que pensei que esses erros apareceriam, mas eles estavam sempre relacionados a outras pessoas e nunca atribuídos a ele.

Por parte da editora, percebi que há muitos erros gráficos, de digitação e de concordância, nada que uma revisão mais apurada não corrija. Também merece comentário a encadernação que ao folhear, começa a descolar. Contudo, o livro possui um elemento importante que são os referenciais bibliográficos, norteando aqueles que buscam mais informações sobre o tema discutido.

Porém, de uma forma geral, é um livro muito bom, com informações importantes para quem se interessa por fotografia de moda e também para quem tem curiosidade em saber sobre os bastidores da moda e a trajetória de um fotógrafo de sucesso e para desmistificar que a prática em si não é tão glamorosa como muitos pensam que é. Particularmente, é uma obra que me fez olhar a fotografia de moda com outros olhos e recomendo a todos que gostem do tema.

 

Grande abraço a todos!

 

Cartas a um jovem fotógrafo

Autor: Bob Wolfenson

Editora: Campus

páginas: 223





EDIÇÃO ESPECIAL

7 06 2009
Revista Época n.º 577 de 8 de junho de 2009

Revista Época n.º 577 de 8 de junho de 2009

Um grande mar azul em destaque, acima, uma pequena parte do céu encoberto como se um estivesse fundido ao outro. Essa é a foto de capa da edição especial da revista Época, do dia 8 de junho, que destaca o acidente com o Airbus A330 da companhia Air France, ocorrido na última segunda feira. Uma capa que vale comentário justamente pela simplicidade na qual foi feita e com uma grande representação.

Quando a vi no site,  me chamou a atenção, pois é uma capa sem efeitos,  jogos de imagem ou grandes trabalhos de design gráfico,  em que a foto de fundo e a diagramação transmitem diversos sentidos e significações.

Como se vê, a parte do oceano apresentado representa o local onde possivelmente o avião tenha caído, este sendo representado pelo escrito vôo Air France 447, sendo uma representação do avião em si. Assim a linguagem verbal nos reporta à visual, sendo dispensável a representação visual do objeto. Esta é uma primeira leitura.

A segunda, não excludente à primeira, é que a simplicidade e a ausência de chamadas para outras reportagens presentes na revista e outros textos verbais, exceto na parte superior o destaque para edição especial e o logo da revista, reporta a uma homenagem, como sendo o minuto de silêncio em memória às vítimas do acidente, uma transmissão de calma e paz, representada por essa fusão entre céu e mar.

Sem dúvida nenhuma a equipe de arte foi feliz na diagramação. As capas das revistas que vi até agora, essa, foi a que melhor representou o acidente e a que mais me chamou atenção justamente pela simplicidade e por fugir do senso comum. Penso que vale a pena dar uma olhada.

Qual a leitura que fazem dessa capa? Mande seus comentários!

 Abraço a todos