Diálogos sobre fotografia

Por esses dias decidi que retomaria meus estudos sobre fotografia e fui pesquisar nas livrarias o que havia de novo no mercado editorial sobre o tema e me deparei com duas publicações que chamara a atenção. Uma delas foi o “Diálogo/Fotografia” de Márcia Tiburi e Luiz Eduardo Achutti. Há algum tempo queria ler algo do Achutti, em razão de sua vasta pesquisa sobre fotografia, antropologia e etnografia.

Ao ler a “Nota do Editor” formei um pré-conceito de que a publicação abordaria os velhos clichês que envolvem a fotografia como se é arte ou não, a questão do belo, o analógico e o digital, enfim. Mas não é bem isso.

O livro consiste em uma conversa entre os autores, que se comunicaram por meio de “cartas” ao longo de dois anos. Tal método penso ser interessante pois permite falar sobre o temas, muitas vezes densos, de maneira mais leve e menos conceitual, envolvendo o leitor nessa conversa.

Engana-se quem pensa que encontrará “verdades” e respostas. Ao contrário, o tempo todo lançam perguntas e reflexões sobre a fotografia, imagem, o processo fotográfico dentre outros, numa sequência de “provocações”.

Indico o “Diálogo/Fotografia” tanto para quem está iniciando seus estudos, quanto para aqueles que já desenvolvem um trabalho no tema. Pois o livro acaba sendo um roteiro, até mesmo bibliográfico, que aponta alguns conceitos e discussões básicas envolvendo o universo imagético e de comunicação.

Tiburi e Achutti percorreram autores clássicos como Walter Benjamin, Susan Sontag, Roland Barthes, Guy Debord, Boris Kossoy, André Rouillé, Didiér Lefévre, dentre outros. Além de uma obra que particularmente gosto muito, cuja ideia foi desenvolvida desde o início do livro, mas apenas no final foi citada, que é a “Filosofia da Caixa Preta”, de Vilém Flusser.

Ao final da leitura, que duraram algumas poucas horas, fiquei com muito mais inquietações do que respostas. Talvez por ser um tema “sem solução” como o próprio Achutti aponta. O autor conclui a obra da seguinte forma:

O que é fotografia? Ela escapa, sem solução. A fotografia é arte, não é arte, é jornalismo bom, mau jornalismo, é empulhação para vender, é denúncia, protesto, é vida, atestado de morte, deleite, registro, perda de tempo, desafio, busca de um norte…

Uma mistura explosiva de luz com emoção – uma estética/ética/técnica aberta para se guardar a memória, reinventar e homenagear a vida que se vive, e que não se pode viver sem fotografia.

O lançamento oficial do livro ocorrerá no próximo sábado, 24/11, às 16 horas no Espaço Revista Cult (R. Inácio Pereira da Rocha, 400 – Vila Madalena/SP). No local, haverá um bate-papo com os escritores. Mais informações pelo site www.espacorevistacult.com.br.

Ficha técnica

Diálogo/Fotografia

Autores: Márcia Tiburi e Luiz Eduardo Achutti

Páginas: 136

Editora: Senac

Dimensões: 19,5 X 11,5

Palestras sobre marketing marca lançamento de livro

Planejar. Esse é um termo base do marketing. Ao abrir uma empresa mais do que planejar a parte financeira, é necessário fazer um planejamento para inserir o produto, ou serviço, no mercado. Isso envolve alguns conceitos como preço, pontos de venda, distribuição, uma boa comunicação etc.

Para alguns aplicar tais conceitos no dia a dia de pequenos e médios empreendimentos pode parecer complicado ou até mesmo inacessível. No entanto, outros podem encarar esse processo de maneira simplista demais.

Com a proposta de apresentar conceitos de marketing de uma forma mais didática e acessível – não apenas de forma teórica, mas também prática – os professores Mitsuru Higuchi Yanaze, Kleber Markus e Kleber Carrilho lançarão na próxima quinta-feira, 22/11, o livro Marketing Fácil.

Após o lançamento, os autores farão uma série de palestras abordando as seguintes temáticas: Nem tudo é Marketing, Capitalismo Social: Os planejamentos estão ficando cor-de-rosa e O marketing possível para pequenas e médias empresas. Veja a programação completa abaixo.

Há dois anos tive oportunidade de conhecer o trabalho e fui alunos desses professores na Universidade de São Paulo. Ainda não tive acesso a essa nova obra, mas certamente será bem interessante tanto para estudantes como para profissionais que buscam um planejamento estratégico de marketing. Na ocasião li o livro Gestão de Marketing e Comunicação, do Mitsuru, que é uma bíblia da área, quem ainda não leu, vale a pena ler.

A publicação traz alguns conceitos como: análise de retorno de investimento, planejamento de comunicação, branding, dentre outros.

Assim que ler essa nova publicação, farei uma breve resenha.

Veja a programação completa das palestras e do lançamento.

Lançamento do livro Marketing Fácil

22 de novembro às 19 horas na Livraria Saraiva do Shopping Paulista

Nem tudo é Marketing: Usos indevidos e simplificações perigosas

Palestrante:- Kleber Carrilho

Hora: 19h15

Capitalismo Social: Os planejamentos estão ficando cor-de-rosa

Palestrante:- Kleber Markus

Hora:- 19h30

– O Marketing Possível para Pequenas e Médias Empresas

Palestrante: Mitsuru H. Yanaze

Hora: 20h

Oficinas Por Contato – Nesse final de semana

Quem estiver no Nordeste neste final de semana, poderá conferir duas oficinas bem interessantes. A primeira, AnimaLibras, destinadas a jovens a partir de 15 anos de idade, surdos ou ouvintes; já a FotoLibrinhas, tem por objetivo dar aulas para crianças surdas de 5 a 11 anos.

Mais informações pelo email comunicacao@fotolibras.org ou pelo site http://www.fotolibras.org.br

 

 

Olhar além dos olhos – parte 2

Pernambucano de Santa Cruz do Capibaribe, Marcos André Leandro, é servidor público federal e um apaixonado por carros e fotografia. Nasceu em 17 de fevereiro de 1975 com glaucoma congênita, ou seja, é quase totalmente cego.

“É bem verdade que nunca consegui identificar rostos, ou seja, o máximo que conseguia, e consigo, é verificar a cor da roupa, a cor da pele, por vezes a cor do cabelo, formato do rosto, da boca e dos olhos, mas não consigo, por exemplo, saber se a pessoa tem sardas, espinhas etc”.

Com o pouco de visão que tinha tentou utilizá-la de todas as formas. Quando tinha 10 anos de idade, descobriu um meio de enxergar um pouco mais. Movido pela curiosidade em saber como funcionava seus brinquedos, quando ganhou um binóculo de plástico, desmontou e separou as lentes. Assim, percebeu que elas ajudavam-no a ver um pouco mais. “Não é que consegui descobrir uma maneira de formar imagens no olho?”, disse.

Foi então que começou a se interessar pelas imagens, sempre buscando formas de aperfeiçoar as formas de enxergar melhor, com isso, ele descobriu a fotografia e as fotos.

Mais uma vez você pode perguntar: como é possível? Marcos Leandro explicou como eram feitos os registros. “Para conseguir fotografar, na época da câmera analógica, que não havia a tela de LCD, presente nas câmeras digitais atuais, eu simplesmente usava o senso de direção, apontando a câmera para o som da voz que estava ouvindo e fotografava”. E completou: “O legal é que naquela época, era uma surpresa esperar a revelação das fotos, para ver como havia ficado aquilo que eu fotografei”.

A criação das câmeras digitais, contou Marcos, facilitou muito o processo de produção das fotos. “Com o advento das câmeras digitais, por conta da tela de LCD, eu, com pouca visão que tenho, consigo enquadrar a imagem das pessoas e paisagens. Embora eu não saiba exatamente o que estou fotografando”.

Ele citou o exemplo de um carro em movimento, em que faz o enquadramento correto, no entanto não sabe de qual modelo se trata.

Para Marcos, a foto mais “célebre” que ele tirou foi a do ator global Paulo Betti, feita quando ele morava em Maceió. Por conta da foto, Marcos acabou se tornando amigo do ator.

Não conheço ele pessoalmente, mas pelos contatos, por email e pelo Facebook, pareceu ser uma pessoa bem extrovertida e irreverente. Todas nossas conversas foram bem animadas. Gostei muito de conhecê-lo e certamente manteremos contato.

Marcos André Leandro mora em Jandira e é casado há quase dez anos com Esvana de Fátima Marques Leandro, também deficiente visual e servidora pública em Osasco/SP.

Veja a conversa na íntegra:

Janela Objetiva (JO)Você considera a fotografia como extensão dos seus olhos?

Marcos André Leandro (ML) – Não chego a considerar a fotografia como uma extensão dos meus olhos, mas considero muito importante. Já pensei e até falei para meus parentes e colegas que um dia vou organizar uma exposição das minhas fotos… Mas são tantas, que vai ser difícil escolher! (risos)!

JO – Como é fotografar sem enxergar?

ML – Fotografar sem enxergar é uma aventura. Aventura porque nem sempre eu sei exatamente o que estou fotografando. às vezes acho que estou fotografando uma coisa e estou fotografando outra!

JO – Quando começou a se interessar pela fotografia?

ML – Comecei a me interessar por fotografia, quando percebi que através das fotografias, eu podia ter uma vaga ideia de como são rostos, paisagens, ou mesmo das imagens como um todo.É minha maneira de enxergar o mundo. Enxergo através das fotografias. Embora, seja ainda assim, muitas vezes, uma ideia distorcida.

JO – O que é a fotografia para você?

ML – A fotografia para mim é uma forma de distração. Com ela posso me distrair e interagir com o que há à minha volta.

JO – Você divulga suas fotos em algum blog ou em outra mídia?

ML – Normalmente não às vezes posto no meu Facebook, ou no meu Twitter. Certa vez criei um Flog, mas por ser meio difícil a navegação por pessoas com deficiência visual, desisti, e larguei de mão.

 

JO – Quais são as dificuldades que o cego, ou deficiente visual, tem na sociedade?

ML – São tantas, que fica até difícil pontuar. Até porque varia de indivíduo para indivíduo. No meu caso, que uso cão-guia, a dificuldade reside principalmente na aceitação do ingresso e permanência, do cão-guia, como determina a lei, em comércios e transportes. Mas posso citar ainda, a falta de conhecimento por parte de empresários, que ainda, resistem muito em contratar pessoas cegas. Acham que vão precisar adaptar toda a empresa, ou fazer vultosos investimentos, quando nada disso é necessário. Investimento certamente será necessário, assim como é necessário, caso uma empresa resolva contratar um engenheiro, um arquiteto, etc. Pois terão de adquirir softwares específicos que custam muito caros. Da mesma forma para que uma pessoa cega utilize o computador, é necessário adquirir um software, que, nem é assim tão caro.

Posso citar a dificuldade de locomoção pelas ruas, onde o poder público é omisso, e não fiscaliza o bom uso do espaço urbano. Na cidade onde moro, por exemplo, eu simplesmente não posso andar com meu cão-guia. Por vários motivos. Não existem calçadas, existem muitos cães de rua, soltos, inclusive na rua onde moro, eu e meu cão-guia já fomos atacados por cães de uma vizinha que simplesmente deixa seus cães soltos, e o portão aberto. Então quando eu passava com meu cão-guia, eles vinham para cima de nós. Nem processando esta vizinha duas vezes, nem tendo uma liminar que determina que ela mantenha seus cães nos limites do seu quintal, isto não é obedecido. E a exemplo dela, outros vizinhos agem da mesma forma, tornando meu ir e vir, na rua onde moro, proibido. Tenho de comprometer uma boa parte do meu orçamento, para ir e vir sempre de carro, para garantir minha segurança, e a do meu cão-guia.

No centro de Jandira, bem junto ao terminal de ônibus, e a estação de trens, mais parece um canil a céu aberto.

E pedi ajuda para a prefeitura do município para que a prefeitura garantisse minha segurança, fornecendo um veículo que me transportasse de casa ao trabalho e do trabalho para casa, e a prefeitura, depois de enviados 4 ofícios, respondeu, negando o pedido, e dizendo que tão responsabilidade não é do município.

Então, são muitas as dificuldades, sobre tudo, para quem tem um cão-guia, e mora em Jandira.

JO – O que ainda precisa avançar?

ML – Para as pessoas com deficiência, mormente os deficientes visuais, tudo precisa avançar. O poder público, as políticas para a inclusão de fato, e não apenas de direito, das pessoas com deficiência, até porque as políticas e as leis são apenas isto: Leis; direitos que não são respeitados nem cumpridos.

O que precisa avançar é o respeito para com a pessoa com deficiência.

Grande abraço a todos!

Paulo Betti por Marcos André Leandro

Cachoeira Floresta Tijuca por Marcos André Leandro

Voto à primeira vista

Entramos em um ano de eleições municipais. Partidos e pré-candidatos aos cargos de vereador e prefeito começam a se organizar e focar nas estratégias de campanha com o objetivo de conquistar o eleitor.

Nessa fase, mais importante do que pensar nas propostas ou táticas para transmitir a mensagem ao eleitor, está a “imagem” do candidato. Por mais que muitas pessoas neguem, um candidato vestido de forma adequada também conquista votos, isso porque sua imagem faz parte do discurso, da mensagem que quer transmitir ao eleitor.

Quer um exemplo? No sábado, o candidato à reeleição para presidente da França, Nicolas Sarkozy, escondeu seu relógio de ouro ao falar com populares após um comício, realizado na Place dela Concorde. A cena foi flagrada por câmeras e reproduzidas no mundo todo.

O que você pensaria ao ver uma cena como essa partindo de um candidato?

Para evitar que “gafes” sejam cometidas, os escritores Luci Molina, Milla Mathias e Sérgio Kobayashi lançaram na última quinta-feira, 19/4, na Livraria Cultura, o “Guia de Estilo para Candidatos ao Poder, e para quem já chegou lá”. Como o próprio nome diz, a obra é um guia prático que reúne dicas de especialistas como: Celso Kamura (hair stylist), Luiz Gonzáles (especialistaem Marketing Político), além de Reinaldo Polito (Oratória) e Denise Pollini (história da moda), dois profissionais que admiro muito e tive o prazer de tê-los como professor.

As dicas e orientações são divididas por públicos, sendo eles: “Para o Candidato”, “Para todos” e “Para a Candidata”. “Não pretendemos falar de moda, que é passageira, mas sim de estilo”, destacam os autores.

O que me chamou a atenção na obra foi a linguagem, simples e direta, destinada a diversos públicos independente da área, podendo ser lida, tanto sequencialmente, quanto consultado, indo diretamente ao tema de interesse. Os textos são ilustrados, orientando o leitor sobre vestimentas e posturas.

Sarkozy poderia ter evitado a “gafe” se tivesse lido a página 59 do livro, que conta com um tópico específico sobre “Relógios, Correntes e Afins”. Lá tem uma dica que se enquadra perfeitamente a essa situação: “Seu eleitorado deve se identificar com você. Por isso, ostentar objetos caros e chamativos podem não ser uma boa estratégia de marketing político, sem falar que é brega. Para o dia a dia escolha modelos mais simples (menos é mais!)”.

Entre uma dica e outra, o livro traz ainda histórias interessantes sobre algumas peças do vestuário. Por exemplo, você sabia que a gravata foi inventada na Croácia, cujo termo vem do francês cravatte, que significa “algo de origem croata”? E que o Blaser foi criado em 1837 por um comandante de fragata?

Pelo que pude ler, o “Guia de Estilo para Candidatos ao Poder” é um manual não apenas para candidatos ou pessoas públicas, mas também para o homem e mulher comum que querem dicas práticas para se vestir bem e com estilo. Como dizem os autores: “O livro, embora seja destinado aos candidatos a cargos públicos, também é valioso para empresários e qualquer pessoa que queira se candidatar a uma posição que envolva gestão de pessoas, por exemplo”.

As dicas não ficam concentradas ao trajes e posturas físicas, mas também na internet, chamando a atenção para temas atuais e pouco discutidos como destaca a assessoria de comunicação: “Um dos diferenciais de Guia de Estilo Para Candidatos ao Poder é dar destaque a temas atuais e ainda pouco discutidos em obras do gênero, como é caso do uso da internet e das mídias sociais em campanhas”. Outro elemento interessante é o glossário com abreviações e siglas utilizadas com frequência na comunicação pela internet.

“A sociedade nos toma por aquilo que parecemos ser. A roupa, assim como a linguagem corporal e o comportamento é parte fundamental do imenso universo da comunicação. Independentemente de seu partido, os políticos são eleitos pela imagem que transmitem e é dever deles aprimorá-la”, explicam os autores na introdução.

Tentarei entrevistar os autores para saber mais sobre o processo de produção da publicação e também para que falem um pouco sobre as campanhas que já estão em fase de aquecimento!

Segue um breve perfil dos autores:

Luci Molina é jornalista e foi repórter especial de política e apresentadora no Grupo Bandeirantes de Rádio e TV. Trabalhou em várias campanhas eleitorais e em assessoria de imprensa dos governos estadual e municipal de São Paulo. É autora do livro Histórias e receitas de uma vida, com Lila Covas.

Milla Mathias é advogada e autora do livro Quem disse que você não tem nada para vestir?. Consultora de imagem e estilo pessoal, e palestrante e apresentadora de quadros de imagem e moda em diversos canais de rádio e TV.

Sergio Kobayashi é jornalista e co-autor do livro Eleição: vença a sua! As boas técnicas do marketing político. Foi presidente da Imprensa Oficial de São Paulo e secretário de comunicação da Prefeitura. Desde 1984 dirigiu diversas campanhas eleitorais nacionais, estaduais e municipais.

Guia de Estilo para Candidatos ao Poder, e para quem já chegou lá

Autores: Luci Molina, Milla Mathias e Sérgio Kobayashi

Páginas: 235

Editora: Senac São Paulo

Preço: R$ 55 (em média)

Grande abraço a todos!

“Internet e eleições” ainda um “bicho de sete cabeças ?”

Essa semana o Portal Imprensa divulgou dados da pesquisa “Influenciadores do G20” , realizada pela empresa de relações-públicas Burson-Marsteller, que elencou os dez perfis do Twitter mais influentes no Brasil na área política. Ela também alertou que os políticos brasileiros não sabem lidar com as redes sociais.

André Miranda, diretor de assuntos públicos da Burson-Marsteller, explica: “Os políticos devem entender que atividade, interatividade, informações relevantes e o diálogo com o público on-line são mais importantes que o número de seguidores e fãs. Isso ocorre basicamente pela falta de profissionais especializados em mídias digitais em suas equipes de comunicação”.

Para falar sobre esse assunto, o Janela Objetiva entrevistou a publicitária e consultora política, Gil Castilho e o presidente da Associação Brasileira dos Consultores Políticos (ABCOP), Carlos Manhanelli. Eles falaram sobre o uso da internet nas campanhas brasileiras que, para Manhanelli: “ainda está em fase laboratorial, experimentando as ferramentas que a internet dispõe”. E também do lançamento do livro Internet e eleições: Bicho de sete cabeças? Usando a Internet para ganhar eleições”, escrito pela dupla.

A publicação percorre a história da internet no âmbito político, apresentando a evolução, “no início tímida e depois exponencial”, do uso da internet. Explica ainda sobre os fenômenos e ferramentas utilizada na campanha de Barack Obama.

O lançamento será no dia 27 de abril no 10º Congresso Brasileiro de Estratégias Eleitorais e Marketing Político, que será realizado em Fortaleza/CE.

Janela Objetiva (JO) – A que público se destina o livro?

Carlos Manhanelli (CM) – Esse livro é destinado a todos que se interessam por processos eletivos e o comportamento das mídias nas atividades eleitorais, principalmente como utilizar de forma a ter o máximo de aproveitamento para uma campanha eleitoral de qualquer nível.

JO – Estamos em um ano eleitoral, como vocês avaliam que será o uso da internet, principalmente das redes sociais, nas campanhas municipais?

CM – Estamos ainda em fase laboratorial, ou seja, experimentando todas as ferramentas que a internet dispõe e dentro dos limites impostos pela legislação. Ainda não se tem certeza do que funciona na Internet em campanhas eleitorais, apenas uma certeza prevalece: ela tem que ser usada em processos eletivos. As formas irão se consagrar com o uso. A racionalidade e a experiência do que já foi usado, é explicado de forma didática nesse livro, beneficiando candidatos e campanhas com a receita de utilização para o maior aproveitamento.

Gil Castilho (GC) – Este ano haverá uma ampliação do uso da internet nas eleições, porque cada vez mais pessoas estão utilizando computadores, tablets e smartphones. Além disso, em muitos municípios, onde não estão presentes os meios de comunicação de massa, tem crescido o número de blogs ou páginas para divulgação de notícias locais. É um cenário diferente do que vimos nas eleições de 2010. Precisamos considerar também que o Brasil é um país diverso, com inúmeras realidades e sendo assim, há candidatos que já fazem um uso constante desses canais de comunicação, mas, certamente, há também um grande número que, ou ainda não está utilizando essas ferramentas, ou não a utilizam em toda a sua potencialidade. Foi com a finalidade de inserir os candidatos nesse contexto, orientando quanto à forma de se comunicar em rede que nasceu o “Livro Internet e Eleições: Bicho de Sete Cabeças?”.

JO – É possível ganhar uma eleição usando a internet no Brasil?

CM – Ainda não. Temos casos em que candidatos apostaram apenas na Internet e constatou-se que a Internet é um bom veículo, porem, ainda não tem impacto suficiente para ganhar votos apenas com ele. Um mix de veículos de comunicação são necessários para se ganhar qualquer eleição.

GC – Uma campanha eleitoral é composta por muitas frentes. É a combinação eficiente de todas elas que faz a diferença. A internet sozinha não pode fazer ninguém ganhar uma eleição, mas ela é cada vez mais importante para ampliar a discussão, a mobilização e o engajamento do eleitor.

JO – A campanha do Obama foi emblemática pela utilização das redes sociais, vocês consideram que esse foi um marco importante para a utilização dessa ferramenta aqui no Brasil?

CM – Sim, embora os consultores da ABCOP utilizem a internet em campanhas eleitorais desde 1996, apenas a partir de2.010 a legislação abriu o uso de várias formas de comunicação pela Internet e tivemos o uso destes pela primeira vez no Brasil, em suas várias ferramentas comunicacionais.

GC – Foi um marco em todo o mundo. No Brasil, especialmente, serviu como ponto de pressão para que a nossa legislação fosse alterada, permitindo um uso mais abrangente e livre dessas ferramentas. Mesmo agora, na campanha pela reeleição, Obama continua sendo uma fonte rica de inspiração.

JO – Como as pessoas podem adquirir o livro?

CM – O lançamento nacional será no dia 27 de Abril às 21h00 no 10º Congresso Brasileiro de Estratégias Eleitorais e Marketing Político que acontecerá em Fortaleza-Ceará. Após essa data, estará a venda no site www.manhanellieditorial.com.br

JO – Nos dias 27 e 28 de abril acontece o 10º Congresso Brasileiro de Estratégias Eleitorais & Marketing Político, conte um pouco sobre o evento.

CM – Será um evento marcante, pois irá comemorar os 20 anos de existência da ABCOP. Contará com palestras de grandes nomes do mundo do Marketing Político Eleitoral, como Chico Santa Rita, Lázaro do Piauí (autor do Jingle Deixa o homem trabalhar – campanha Lula), Luiz Henrique Romagnolli (produtor do programa de rádio do Presidente Lula) , Neysa Furgler (ex-diretora do Ibope), entre outros.

Olhar além dos olhos

Sempre disse a colegas que minha vontade era dar aulas de fotografia para cegos ou deficientes visuais. A primeira pergunta que surgia era “Como isso é possível?”, seguida de outra: “Como cego fotografa?”.

Num primeiro momento pode parecer impossível, mas se pensarmos que o olhar vai muito além do que os olhos vêem a coisa começa a ficar possível. Quando uma pessoa perde alguns dos sentidos, outros são aguçados e passam a sentir e a “enxergar” o mundo por meio destes. No caso dos cegos e dos deficientes visuais é a mesma coisa. São pessoas que possuem uma sensibilidade incrível e uma percepção tátil, olftiva e auditiva mais aguçada.

Já tinha visto diversos casos de fotógrafos cegos e deficientes visuais que produzem uma obra incrível. O primeiro contato foi por meio de um site chamado Seeing With Photography, que consta na minha relação de links. Depois, foi com um fotopublicitário de Sorocaba, gostaria muito de entrvistá-lo também para essa série, vamos ver se consigo.

 Esse tema sempre me instigou e não foi diferente quando vi na última terça-feira, 3/4, uma matéria no site Estadão.com, feita em colaboração com a BBC, de uma fotógrafa cega que se propôs a colocar mil fotos em mil dias no blog “With Little Sound”.

 Não tive dúvidas, tentei o contato por e-mail para fazer uma entrevista e saber mais sobre suas imagens, mas achei que o  fosse difícil ainda mais por estar em outro país. Para minha surpresa, Amy Hildebrand, respondeu prontamente as perguntas com muita simpatia, como se nos conhecêssemos há muito tempo.

Casada, mãe de dois filhos, Amy Hildebrand, mora na cidade de Cincinnati, nos Estados Unidos. Cega de nascença por conta do albinismo, ela passou por diversos tratamentos durante a infância e adolescência, com isso, passou a enxergar com algumas limitações, cerca de 20 centímetros de distância do rosto.

 Mesmo assim, ela tomou gosto pela fotografia e acabou se formando na área. Para a fotógrafa americana, a fotografia é uma forma de se expressar, contar sobre ela mesma para as pessoas.

 Confira a entrevista realizada por email:

 Janela Objetiva (JO) – O que é a fotografia para você?

 Amy Hildebrand (AH) – A fotografia para mim é uma forma de me comunicar em um nível mais íntimo com as pessoas. Sou uma pessoa quieta, na maioria das vezes guardo as coisas para mim. Então essa é uma forma das pessoas me conhecerem sem eu precisar falar muito.

 JO – Como você se interessou pela fotografia?

AH – Eu fizum curso quando era adolescente e me apaixonei,foi muito natural!

JO – Que método você usa para fotografar?

AH – Uso tudo no manual, a única coisa que uso no automático é o foco, só desligo quando tenho um olhar específico.

 JO – Qual tipo de câmera utiliza?

AH – Atualmente eu utilizo uma Canon 5D Mark II. Quando comecei meu projeto, usava uma Rebel Xti. Eu também tenho uma Polaroid 600 SE que uso as vezes no blog. Meu marido comprou para mim umas câmeras de grande formato que eu gosto de usar.

 JO – Que assunto você mais gosta de fotografar?

AH – Pessoas. Fotografar pessoas sempre me intrigou. Geralmente, quando fotografo as pessoas passo a conhecê-las mais. Eu as ajudo a sentirem-se mais relaxadas em frente da câmera, e isso eu encontro uma forma delas se enxergarem nas imagens.

JO – Você considera a câmera uma parte dos seus olhos?

AH – Sim, claro, e muito!

JO – A reportagem da BBC diz que você não vê desde criança, não é?

AH – Bem, sim e não. Eu tinha uma visão muito limitada para uma criança. Como eu disse, nasci completamente cega, mas como tinha pouca idade, tinha condições de recuperar um pouco da visão. Conforme fui crescendo, lentamente, a visão ficou ainda melhor.

JO – Qual a sua maneira de ver o mundo?

AH – Quer dizer literalmente? Eu vejo melhor uma pessoa a oito polegadas (cerca de 30 centímetros) de meu rosto. Quanto mais longe, mais difícil de enxergar. Por exemplo, eu não posso ver o relógio digital do painel do nosso carro. Os números estão muito longe e muito pequeno para que simplesmente minha visão registre. Ao contrário, eles ficam “engolidos” pelas cores entorno deles (os números são pretos, mas a tela é de cor verde). Se isso faz sentido, (risos).

JO – Como é fotografar sem ver com os olhos, qual a técnica que você usa?

AH – Eu aprendi fotografar na faculdade em uma câmera completamente manual, então eu aprendi muito através dos sons da câmera.

JO – Por que você chama seu blog de With a Little Sound (com pouco som)?

AH – Porque sou uma pessoa tranquila e eu queria que minhas imagens falassem por mim. Aqui está um excerto retirado do meu blog que explica eu mesma: “Então eu olho meu trabalho e sinto muito quieto; quieto e pequeno. Eu gosto de ser quieta e eu gosto de me sentir pequena. Não me incomoda que, provavelmente, há cinco centenas de pessoas lá fora, no cyberespaço, fazendo a mesma coisa que estou fazendo. Não me incomoda ver meus números de visualização estão diminuindo.

Eu estou apenas aqui, e é isso aí que eu quero que ele seja. Com isso em mente, eu escolhi o nome Com pouco som, porque não tenho muito a dizer, apenas algo a mostrar.

Foto publicada dia 13/4 por Amy Hildebrand

Foto dia 939

Retomada

O tempo passa depressa, deixamos a correria tomar conta de nosso dia a dia e quando vemos, já se passaram os anos. Justamente em virtude do aumento de trabalho que me ausentei por esses dois anos do Janela Objetiva. Por isso peço desculpa aos leitores do blog.

Porém, agora postarei textos com maior regularidade. Não diariamente, mas ao menos quinzenalmente em busca de reduzir esse espaço de tempo.

A retomada será marcada por uma sequência de entrevistas com fotógrafos que tenham deficiência visual ou são cegos. Muitos podem se perguntar como isso é possível, mas garanto que as imagens deles e as formas com que “enxergam” o mundo são fantásticas.

Vamos começar com a entrevista que fiz com uma pessoa muito simpática, Amy Hildebrand. Conheci o trabalho e o blog dela em uma reportagem feita pela BBC Brasil, publicada no site do Estadão. Vocês ficarão impressionados com as imagens produzidas por essa fotógrafa que vê com certa dificuldade, mas enxerga como ninguém.

Grande abraço a todos!

Fotos inéditas do Última Hora estão disponíveis para consulta

O Arquivo Público do Estado de São Paulo coloca a disposição, a partir de hoje, 54.385 fotografias que compunham o acervo do jornal Última Hora. As imagens, produzidas entre os anos de 1950 e 1969, foram digitalizadas a partir dos negativos flexíveis e papel de gelatina e prata.

Boa parte do acervo nunca foi publicada no jornal, pois quando o fotógrafo sai para alguma pauta faz uma série de imagens que são selecionadas criteriosamente pelo editor. Contudo, independente de publicada, ou não, as fotos foram arquivadas. Estarão à disposição também 1007 ilustrações publicadas no UH. Para isso, o site foi reformulado.

Todo acervo do UH está sob a guarda do Arquivo Público do Estado desde 1990. Segundo a assessoria do órgão, a importância da digitalização, principalmente dos negativos flexíveis, se dá por serem sensíveis a variações externas e frágeis. A manipulação desse material requer equipamentos específicos como lupas e mesa de luz.

No site, estão disponíveis alguns exemplares dessa “grande aventura” de Samuel Wainer que, na época, desafiou verdadeiros “impérios” da comunicação como os Diários Associados, de Assis Chateaubriant.

Estudantes, pesquisadores e curiosos ganharam um importante instrumento para consulta de documentos que contam um pouco da história do nosso país sob a ótica do homem que era “amigo do homem”, como Wainer dizia sobre sua relação com Getúlio Vargas.

Para facilitar a consulta, estão disponíveis campos de busca divididos por: “autor”, “período” e “palavra-chave”. Todo o acervo pode ser utilizado livremente para fins didáticos, desde que se faça a citação da fonte, no caso o Arquivo Público do Estado de São Paulo, e o crédito do autor da foto.

Confira o acervo no site www.arquivoestado.sp.gov.br/uhdigital

Grande abraço a todos!

A Paris de Claudio Edinger

Convite para abertura

 

Como fotografar uma cidade já fotografada por tantas pessoas, algumas delas sendo Cartier-Bresson e Doisneu? Essa foi a pergunta que moveu o fotógrafo Cláudio Edinger descobrir novas formas de retratar Paris. Foram mais de 30 anos de pesquisa e duas semanas de trabalho, 200 chapas, sendo escolhidas 80 para compor um livro.

Para completar essa busca de novos olhares, que tal usar uma câmera que proporciona uma outra forma de fotografar? Por essa razão, que Edinger usa em seu trabalho uma grande formato, que usa filme 4X5, onde o foco é dado apenas em um pondo específico, além de ter maior qualidade que o negativo comum.

A exposição Paris de Cláudio Edinger, que terá 17 fotografias desse trabalho, será aberta no próximo dia 30 de novembro, às 19 horas, e ficará até o dia 28 de fevereiro de 2010 no Espaço Arte Trio que fica na rua Gomes de Carvalho, 1.759 – Vila Olímpia/SP.

Edinger fala ao Janela Objetiva sobre a exposição, equipamentos e seus olhares.

 

Grande abraço a todos!

 

Janela Objetiva – Como surgiu a idéia de fazer essa exposição?

Cláudio EdingerEu venho pesquisando Paris há uns trinta anos, desde quando comecei a fotografar. Ficava imaginando como fotografar a cidade mais fotografada do mundo, o que esta cidade representa pra mim visualmente e como compartilhar isso com outros, o que a gente vê. Mas este é o grande barato da fotografia — não existem temas esgotados — ao contrário, está tudo aí ainda pra ser feito.

 

JO – Qual é a Paris de Claudio Edinger?

CE Paris é a mãe de todos nós, é a mãe do Impressionismo, o maior e mais importante movimento artístico da história. Paris é a mãe também da fotografia, onde Lartigue, Bresson, Brassai, Doisneau, Kertesz, Halsman, William Klein e muitos outros desenvolveram a nossa arte. a minha paris é ambígua, ora em foco ora desfocada, ora brilhando ora opaca. é a cidade luz e a cidade sombra, tem uma beleza incomparável e vive ameaçada pelo seus suburbios.

 

JO – O que te levou a fotografar em grande formato?

CEA máquina em grande formato deixa de ficar entre nosso assunto e a gente — você não mais vê o mundo através de um buraco quadrado ou retangular quando faz a foto. a 4×5 vira de fato uma parceira da gente. cada máquina fotografica enxerga da sua própria maneira a realidade. são como vários instrumentos musicais de uma orquestra. a 4×5 é como um piano de calda. e, além da qualidade muito superior de seus negativos, ela possibilita o trabalho de “tilt & shift” — báscula — em que é possível criar-se o foco seletivo, uma linguagem dentro da fotografia que começa a surgir com força agora e que pra mim reflete melhor do que a outra (foco em tudo) minha relação com a assim chamada realidade. eu me interesso muito pela ambiguidade das coisas, acredito que não existem absolutos — e nem isso pode ser uma afirmação absoluta. me interesso por uma imagem cheia de nuances e mistérios, que às vezes conta mais pelo que deixa de dizer.

 

JO – Quem fez a curadoria da exposição?

CE – A curadoria é de Rosely Nakagawa que é quem escreve a apresentação para a exposição.

 

JO – Quanto tempo levou para produzir esse material, quantas fotos foram para a exposição e, aproximadamente, quantas foram tiradas?

CEEssas fotos foram feitas em duas semanas. Fiz umas duzentas chapas das quais escolhi 80 pra um projeto de livro. Para cada foto que eu faço, em geral, tiro duas ou três chapas no máximo. A exposição tem 17 fotos no formato 140×170 cm com moldura. O interessante pra mim é que na capital da fotografia é quase impossível se fotografar. Cada vez que eu abria o tripé vinha um segurança perguntar vous avez la permission? Você tem licença pra fotografar aqui? Eu não tinha, para nenhum lugar — tanto que agora quero voltar para fotografar dentro dos lugares, museus, cafés etc., e vou ter que conseguir autorizações. Chata essa burocracia, mas faz parte.